Da Banda de Pífanos de Caruaru: Ariane Rodrigues lança Transversa
Primeiro álbum autoral da artista, Transversa, Ariane Rodrigues coloca a flauta transversal no centro de diálogos entre jazz, ritmos brasileiros e criação coletiva.
PALCO COMMÚSICA
5/26/20263 min ler


Reconhecida por sua atuação como flautista, educadora e integrante da tradicional Banda de Pífanos de Caruaru, Ariane Rodrigues apresenta Transversa, seu primeiro álbum como compositora e líder de projeto. Já disponível nas plataformas digitais, o trabalho marca a estreia autoral da artista e a consolida como representante de uma nova geração de músicos e compositores da música instrumental brasileira, que dialoga com a tradição sem abrir mão da experimentação e da linguagem contemporânea.
Com oito faixas instrumentais — sete composições autorais e uma releitura —, o álbum tem como principal protagonista a flauta transversal, instrumento ainda pouco explorado como voz central na produção instrumental brasileira. Em Transversa, a flauta assume o papel de condutora das narrativas musicais, transitando entre momentos de lirismo, improvisação, virtuosismo e intensa interação coletiva.
Gravado por Ariane Rodrigues (flauta transversal e pífano), Fábio Leal (guitarra), Ricardo Zoyo (baixo e sintetizador) e Everton Barba (bateria), o disco reúne uma formação que explora sonoridades contemporâneas a partir de referências do jazz, da música brasileira e da cultura popular. A faixa final conta ainda com a participação especial do percussionista Ari Colares, ampliando as possibilidades tímbricas e rítmicas do trabalho.
A experiência de Ariane como integrante da Banda de Pífanos de Caruaru, um dos grupos mais emblemáticos da cultura popular brasileira, também atravessa o álbum de maneira sutil e orgânica. A convivência com a tradição dos pífanos nordestinos amplia seu vocabulário musical e contribui para uma sonoridade que conecta diferentes matrizes da música brasileira a uma abordagem contemporânea de composição e improvisação.
As faixas percorrem diversos caminhos estéticos. Do groove pulsante de Funk Transverso à fluidez melódica de Vento a Favor, passando pelo lirismo de Hermínia e pela exploração tímbrica presente em Que a Chuva Traz e Saiu Voando e Virou Luz, o repertório evidencia a busca por uma linguagem própria. O álbum inclui ainda uma releitura de Montreux, de Hermeto Pascoal, uma das principais referências da música instrumental brasileira.
Mais do que um álbum de estreia, Transversa representa um momento de afirmação artística. Depois de uma trajetória consolidada como instrumentista em diferentes projetos da música brasileira, Ariane apresenta um trabalho autoral que sintetiza suas múltiplas influências e coloca a flauta transversal em evidência dentro da cena instrumental contemporânea.
Formada no Conservatório de Tatuí, Ariane iniciou sua trajetória entre o repertório erudito e a música popular, aprofundando-se posteriormente em MPB, jazz e música instrumental brasileira. Ao longo da carreira, participou de shows, gravações e projetos ao lado de artistas como Inezita Barroso, Alaíde Costa, Ayrton Montarroyos e Jaques Morelenbaum. Também atuou por 16 anos como professora no programa GURI, contribuindo para a formação de novas gerações de músicos.
Atualmente, além da Banda de Pífanos de Caruaru, Ariane integra o Brazú Quintê, experiências que ajudam a construir a identidade sonora presente em Transversa. O álbum reafirma a força da flauta transversal como instrumento de criação, improvisação e protagonismo, ao mesmo tempo em que apresenta uma compositora que passa a ocupar lugar de destaque entre os novos nomes da música instrumental brasileira.
Repertório
Funk Transverso — Ariane Rodrigues
Vento a Favor — Ariane Rodrigues
Montreux — Hermeto Pascoal
Hermínia — Ariane Rodrigues
Sono Bom — Ariane Rodrigues
Saiu Voando e Virou Luz — Ariane Rodrigues
Que a Chuva Traz — Ariane Rodrigues
Saidêra — Ariane Rodrigues
Ficha Técnica
Ariane Rodrigues — flautas e pífano
Ricardo Zoyo — baixo e sintetizador
Fábio Leal — guitarra
Everton Barba — bateria
Participação especial:
Ari Colares — percussão (faixa 8)
Gravado, mixado e masterizado por Adonias Júnior no Estúdio Arsis (SP), entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026.
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