‘Em Trânsito’: Luis Vilhora documenta sua trajetória em álbum de estreia
Quase 4 anos desde o início da produção, o disco passeia pelas inúmeras referências e vivências do artista e pesquisador paulistano
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6/17/20263 min ler


Luis Vilhora iniciou sua trajetória musical ainda jovem: foi do violão de nylon ainda adolescente para a guitarra elétrica e rockeira na juventude, passando por experiências com bandas e fazendo música coletivamente em alguns projetos. Além de músico, o professor e pesquisador coleciona experiências que, enfim, transparecem em seu álbum de estreia: ‘Em Trânsito’ chega dia 12/06 nas plataformas digitais. E não foram só as referências que culminaram no disco, muitos artistas que encontraram Luis neste processo participam do trabalho: Caio Bars, Giu Melito, Jônatas Marques, Mariana Estol, Luccas Bracco, Roberto Angerosa, Thata Ozzetti, Thiago Boecan e Vico Iasi.
Trajetória, atravessamentos e caminhos são temas que permeiam a estética de ‘Em Trânsito’ durante as 10 faixas. O disco pode ser interpretado como um diário de viagem com um começo (empolgação e expectativas otimistas), meio (turbulência e estranhezas necessárias) e fim (a experiência acumulada desta aventura). Atrelado a essa temática, Luis divide a setlist em Lado A e Lado B, tomando como referência os vinis clássicos.
A poesia das letras de Luis e a experimentação de diferentes gêneros também podem levar o ouvinte a mergulhar em cada faixa individualmente, e também nas surpreendentes mudanças de uma para outra. Um exemplo está no Lado B do disco: ‘O Mar’ abre esse compilado como a música mais longa e experimental do álbum - com um trecho criado através de improvisação da banda - tem uma voz mais rasgada de Luis e diversos efeitos; logo após, ‘Noite Vai’ - um dos singles do álbum - entrega versos mais soturnos e momentos de calmaria.
É neste “balanço” que o artista consegue contar diversas histórias através de suas referências:
“Essa brisa de viagem fez com que eu buscasse muito o Clube da Esquina, algumas coisas do psicodélico. Mas a abordagem é bem pouco mística, na real; é mais inspirada no que há de concreto, e na consciência que brisa em cima disso. As capas dos singles tem várias cores que conversam com o sentimento de cada uma. ‘Lado a Lado’ é laranja, plenamente solar; ‘Samotrácia’ entardece, começa a pintar um desencontro, mas ainda é enérgica, mesmo na frustração, rosa-vivo; ‘Noite Vai’ é mais escura, o nome acusa; ‘Wandering Rocks’ é mais clara porque já acena pra outro amanhecer”.
Durante os 4 anos de produção, Luis se viu em diferentes momentos para construir o disco. Primeiro, uma formação clássica de rock, explorando a dinâmica de power trio em sessão ao vivo: experimentações e improvisos com João Pássaro (baixo), Jônatas Marques (bateria) e Luis nas guitarras, violão e piano. Depois, o disco passou a ser produzido por Thiago Boecan e teve Luccas Bracco substituindo João no baixo; foi um momento de gravações separadas, novas camadas de sintetizadores, coral de voz e efeitos, além da participação de outros artistas na percussão.
A mistura desses processos também contribui para um trabalho expandido, trazendo um pouco de cada abordagem nas faixas:
“Acho que as duas etapas foram muito diferentes em termos de processo criativo. Combinamos a dinâmica de banda da primeira etapa, com os improvisos e sessões dos instrumentos de base, e, em cima disso, [na segunda etapa] criamos uma série de camadas de som e de sentido, que é típica da montagem de músicas no processo de produção. Nas duas etapas estava presente o esforço de coesão, de projeto conceitual. Em alguma medida, acredito que conseguimos manter o que era a face da primeira etapa (certo jogo musical mais orgânico) e imprimir outro aspecto na segunda. Foi difícil trabalhar em cima de takes com muito improviso e variação, mas colocar isso nos overdubs ajudou a manter essa dinâmica”, conta Luis.
‘Em Trânsito’ é um disco feito por muitas mãos: produção musical de Thiago Boecan (@thiago.boecan), mixagem e masterização de Pedro Canales e ilustração e design gráfico de Bhrenda Batista (@rendadebh). A direção artística é de Luis Vilhora. As faixas têm participações de diversos músicos: Caio Bars, Giu Melito, Jônatas Marques, Mariana Estol, Luccas Bracco, Roberto Angerosa, Thata Ozzetti, Thiago Boecan e Vico Iasi.
Acompanhe: @luisvilhora
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