Sons da Resistência 141
Sons da Resistência 141 explora a curadoria de playlists na Rádio Expedição CoMMúsica, reunindo artistas independentes como Acorde7 Blues Band, Voodoo Drummer Duo, Manos Loutas, Sylvestra Bianchi, MABI e Sociedade Crua em um panorama sonoro que articula estética, política e escuta ativa.
RÁDIO EXPEDIÇÃO COMMÚSICAPLAYLIST
3/20/20265 min ler


Sons da Resistência 141 — Curadoria de Playlists como narrativa sonora
A edição 141 do Sons da Resistência se constrói como um exercício consciente de curadoria — não apenas como seleção musical, mas como linguagem, posicionamento e escuta ativa. Na Rádio Expedição CoMMúsica, disponível em commusica.radio.br, cada playlist é tratada como um organismo vivo: há intenção em cada sequência, há discurso em cada transição. Este programa, em especial, se dedica aos lançamentos recentes e aos comentários sobre os critérios que orientam a montagem dessas playlists, evidenciando o compromisso da rádio com a produção independente e com artistas que estabelecem contato direto com a curadoria — um fluxo que fortalece a autonomia e o vínculo entre criação e difusão. Para quem deseja fazer parte desse circuito, o canal permanece aberto: expedicao@commusica.com.br.
A reflexão proposta aqui também se desdobra no blog palcocommusica.com.br, onde a curadoria ganha forma textual, crítica e contextual, ampliando a escuta para além do áudio. O que se ouve na rádio, se lê no blog — e o que se lê, reconfigura a forma de ouvir.
Acorde7 Blues Band
Abrindo a seleção, a Acorde7 Blues Band (foto acima), diretamente de Goiânia, apresenta uma abordagem autoral do blues que evita o pastiche e aposta na reinvenção. Formada por André Araise, Thiago Albuquerque, Roberto Chalub e Leandro Mendonça, a banda constrói uma sonoridade intensa e emocional, onde o blues se manifesta como linguagem contemporânea. As faixas “I Tried”, “Peter Boy” e “Won’t Down on My Knees” evidenciam essa assinatura, marcada por densidade instrumental e expressividade vocal. A presença digital do grupo pode ser acompanhada em plataformas como Instagram e YouTube, onde divulgam suas produções independentes.
Voodoo Drummer Duo
Na sequência, o programa mergulha na experimentação do Voodoo Drummer Duo (capa de Hells's Spells), projeto HELLenic que revisita a obra de Tom Waits a partir de uma perspectiva ritualística e instrumental. Com Stavros Parginos no cello e Christos Koutsogiannis em um arsenal percussivo que inclui o singular weirdofon, a dupla apresenta uma releitura de “Way Down in the Hole”, entrelaçando referências como “Chocolate Jesus” e “God’s Away on Business”. A proposta estética é assumidamente simbólica e performática, evocando imagens do inferno de Hieronymus Bosch e tensionando o sagrado e o profano. O duo está presente no Instagram (@voodoo_drummer) e pode ser contatado pelo e-mail drummervoodoo@gmail.com.
Manos Loutas
Do experimental para o jazz contemporâneo, Manos Loutas (foto acima) apresenta “Blue L”, composição que se aproxima do jazz tradicional após incursões mais híbridas em trabalhos anteriores. Ao lado de Pantelis Benetatos (piano) e Yorgos Maniatis (bateria), Loutas constrói uma peça que valoriza a improvisação e a interação entre os instrumentos. Com mais de quatro décadas de carreira, o baixista mantém uma presença ativa nas redes — incluindo Facebook (facebook.com/ManosLoutasBass) e Instagram (@manosloutas) — além de disponibilizar seu trabalho no Bandcamp (manosloutas.bandcamp.com). A gravação, realizada ao vivo no Artracks Studios, em Atenas, reforça o caráter orgânico da execução e sua presença em playlists.
Sylvestra Bianchi
A dimensão espiritual da curadoria se manifesta em Sylvestra Bianchi (foto acima), com a faixa “Vibrações do Alto”. Natural de Curitiba, a artista desenvolve o conceito de Rock Cósmico, integrando música, consciência e bem-estar. A canção se apresenta como um convite à presença e à reconexão, operando quase como um mantra dentro da estrutura do rock. Sylvestra utiliza suas redes — especialmente Instagram e plataformas de streaming — para difundir essa proposta que alia leveza estética e profundidade conceitual.
MABI - Música Afrobrasileira Improvisada
Na cena paulistana, o trio MABI antecipa seu álbum de estreia com “Irmandade Preta” (foto acima), faixa que sintetiza um posicionamento artístico e político. Com participação de François Muleka, o grupo — formado por Trovão Rocha, Gabriel Barbalho e Lucas Fê — constrói uma música afro-brasileira improvisada que tensiona o apagamento histórico da herança preta. A origem do projeto, marcada pelo contexto das enchentes no sul do país, reforça o caráter contingente e coletivo da criação. A presença do MABI pode ser acompanhada em redes sociais e plataformas digitais, onde o lançamento de 11 de março já circula como um manifesto sonoro.
Sociedade Crua
Encerrando a seleção, a Sociedade Crua (foto acima), de Belo Horizonte, reafirma sua trajetória no rock autoral com as faixas “Garota”, “Maluco Beleza” e “Sensações”. Desde 2008, a banda constrói uma discografia marcada por crítica social e pluralidade de influências — do rock inglês dos anos 60 ao cenário brasileiro dos anos 80, com incursões na MPB. Com álbuns como “Sociedade Crua — Novembro” e “Pássaros de Lata”, o grupo mantém uma produção contínua, hoje expandida em projetos como Crias Mecânicas e Tempo. Sua atuação digital se distribui entre plataformas de streaming e redes sociais, onde divulgam novos trabalhos e dialogam com o público.
O Sons da Resistência 141 se consolida, assim, como um recorte editorial que explicita a curadoria como prática crítica. Mais do que reunir músicas, o programa articula sentidos, conecta geografias e constrói uma escuta que é, ao mesmo tempo, estética e política. Cada artista aqui presente não apenas compõe uma playlist — compõe um campo de forças onde independência, linguagem e identidade se entrelaçam.
Em tempos de debate público sobre o uso da IA na geração de outputs sonoros, o Sons da Resistência marca o território de músicos criadores. É um prazer tê-los conosco!












