Mostra Periferia Cinema do Mundo leva ao Cine Santa Tereza a potência cinematográfica das periferias

Mostra acontece vai até domingo, 17 de dezembro, com programação gratuita que inclui 16 filmes, entre curtas e longas-metragens, além de clipes e sessão comentada

Um dos principais destaques do Circuito Municipal de Cultura em dezembro, a “Mostra Periferia Cinema do Mundo” chega à sua quarta edição neste ano, seguindo o propósito de apresentar um panorama da recente produção cinematográfica nascida nas periferias de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Realizado pelo Cine Santa Tereza, o evento acontece entre esta terça-feira e domingo, 12 a 17 de dezembro, com uma programação que inclui 16 filmes, uma retrospectiva de videoclipes e sessões comentadas. Todas as exibições são gratuitas, mediante retirada prévia de ingressos on-line neste link ou na bilheteria do cinema meia hora antes das sessões. Mais informações nas redes e no site do Circuito Municipal de Cultura, projeto realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Odeon.

A “IV Mostra Periferia Cinema do Mundo” celebra e reafirma o vigor e a força de uma produção concebida por cineastas oriundos da periferia, ou que vivenciam o cotidiano periférico. Em sua quarta edição, a Mostra exibe filmes de diretores como Meibe Rodrigues, Higor Gomes, Karen Suzane, Marcelo Lin, Desali, Dea Vieira. Com obras realizadas no bairro Primeiro de Maio, em Nova Contagem e Sabará, a programação apresenta produções que atravessam temas como o Congado e a espiritualidade afro mineira, as vivências da juventude negra e periférica, a memória e a atualidade das lutas sociais e políticas da periferia, entre outras. 

Para a diretora de Promoção das Artes da Fundação Municipal de Cultura, Paula Senna, uma das grandes virtudes da Mostra é contribuir para promover o acesso e a difusão desta expressiva produção. “Realizar uma programação como essa é como colocar uma lupa em uma produção que está aí, que tem ampliado seu espaço e que merece ser vista cada vez mais, por mais pessoas. Para o Cine Santa Tereza, poder estar junto nesse processo que mostra a riqueza da produção cinematográfica que existe nesses territórios, é muito importante”, afirma.

Programação

A IV Mostra Periferia Cinema do Mundo começa no dia 12 de dezembro, terça-feira, às 19h, com uma sessão comentada que tem a participação dos cineastas Higor Gomes e Karen Suzane, e que exibe dois filmes mineiros premiados em importantes festivais de cinema nacional. “Nunca pensei que seria assim” (2022), de Meibe Rodrigues, propõe, através de memórias do próprio passado da artista, uma reflexão sobre negritude e escrevivência. O curta-metragem ganhou, em 2023, o título de “Melhor Filme” da Mostra Curtas Catarinenses e Latinos pelo júri oficial, e também o prêmio de “Melhor Filme” da Mostra Competitiva Minas, no 25º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. 

Já “Ramal” (2023), de Higor Gomes, que também compõe a sessão de abertura, traz um grupo de jovens que, protegidos pelas montanhas que cercam a Vila Marzagão, na periferia da cidade de Sabará, divertem-se sobre suas motocicletas em um viaduto sem saída, conhecido pelos moradores da região como ramal ferroviário. O curta-metragem recebeu o “Prêmio da Crítica Abraccine” – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e de “Melhor Filme de Curta-metragem”, no 12º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba; além do “Prêmio 10+ favoritos do público”, no 34º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Curta Kinoforum. O filme “Ramal” volta a ser exibido na “IV Mostra Periferia Cinema do Mundo” no dia 15, sexta-feira, às 19h.

No dia 13, quarta-feira, às 19h, serão exibidos dois lançamentos: “Coragem”, de Karen Suzane, e “7 giras passageiras” (2023), de Denise dos Santos, Luana Costa e Michelle Sá. “Coragem” é um filme de ficção que conta a história de Bia, uma jovem mulher negra bem sucedida, fruto de um relacionamento inter-racial, que após um tempo rejeitando seus traços e sua origem, passa a percorrer um caminho permeado de contações de histórias e de festejos de rua da periferia, para a restauração e a assunção da negritude. “7 giras passageiras”, por sua vez, traz relatos subjetivos, auto-percepções e narrativas biográficas de sete mulheres negras, sobre realidades abusivas e violentas. O filme apresenta recortes do cotidiano de Creuza Ezequiel, trabalhadora doméstica; Nívea Sabino, artista independente moradora da Região Metropolitana de BH; Jéssica Angel, estudante secundarista; Yunni Anumaréh, produtore cultural não binárie; Maria da Penha Siqueira, trabalhadora da educação; Lucinea Santana, mãe de um jovem privado de liberdade; e Andréia de Jesus, primeira deputada negra eleita na história da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. 

A Mostra continua, no dia 14, quinta-feira, a partir das 19h, com uma sessão de curtas-metragens que abordam o Congado, os Reinados e a espiritualidade afro mineira. Serão exibidos “Kalunga do Rosário” (2023), em que Capitão Washington (Kamugenan) registra com olhar sensível a espiritualidade do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, na Irmandade Os Leonídios, em Oliveira (MG); “Vidas do Rosário” (2022), do premiado diretor Marcelo Lin, cuja história se passa na Comunidade dos Arturos, em Contagem, onde a jovem Dandara questiona a noção de progresso, e o apagamento da memória e dos desejos de sua comunidade; e “Zé do Congado” (2023), de Dea e Marcus Vieira, que acompanha um recorte do Congado tradicional da comunidade Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte, trazendo a história de Zé do Congado, um dos primeiros moradores da comunidade e mestre do Congado em questão.

No dia 15 de dezembro, sexta-feira, três curtas experimentais tratam poeticamente as vivências da juventude negra e periférica. O primeiro deles é “Corpovivência” (2022), de Sheyla Bacellar e Sandra Sawilza, que ilustra a afetação de marcas e vivências no corpo de uma mulher negra, embalado pelos sons naturais do local e pelos ritmos do samba e do funk. Norteado por sensações expressas através de movimentos livres e/ou coreografados, o curta faz referência direta à dança de rua, ao Hip Hop, ao contemporâneo e a outras influências vividas pela bailarina Sheyla Bacellar. 

Já o documentário “Na boca do leão” (2022), de Kiandewame Samba, apresenta uma narrativa do tempo na presença do homem, com as simbologias que carregam os grandes centros urbanos contemporâneos, trazendo à tona os “destroços coloniais” e mostrando como “jovens guerreiros urbanos” constroem suas “re-existências”. Fechando a sessão,será exibido “Estudo para uma pintura o lavrador de café” (2023), do artista visual Desali, que documenta a criação de uma pintura durante a pandemia. Inspirado na obra “O Lavrador de Café” de Portinari, o curta-metragem utiliza imagens que fazem pequenas releituras de diversas pinturas do artista para formar novas imagens, traçando uma jornada visual que celebra a transformação e a beleza mesmo em meio à adversidade.

No dia 16, sábado, às 16h30, serão exibidos os documentários “Fé que canta e dança” (2023), realizado pela Renca Produções e Gabriela Matos, que durante dois anos acompanharam o cotidiano da Irmandade de Congo e Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, do Morro do Papagaio; e “Primeiro de Maio Lugar de Memória” (2023), de Thiago Pacheco e Nego Dê, filme que conta a história de uma comunidade cujo nome carrega a referência ao dia simbólico da luta internacional dos trabalhadores. A sessão será comentada pelos realizadores do documentário e por representantes da comunidade do bairro Primeiro de Maio.

A interseção entre audiovisual e música também aparece na programação da IV Mostra Periferia Cinema do Mundo. No dia 16, sábado, às 19h, é a vez da “Retrospectiva de Videoclipes do P.drão”, um dos produtores de audiovisual mais conhecidos do atual cenário musical do Brasil. Pioneiro da produção de clipes independentes na periferia, com foco principalmente no funk e no rap, P.drão já assinou trabalhos de artistas em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e, claro, Minas Gerais. Com mais de três milhões de visualizações em seu canal no YouTube, criou a “P.drão Videoclipes” e, desde 2006, tem possibilitado o acesso de vários jovens de baixa renda a este tipo de produção. Na Mostra, o produtor apresenta alguns clipes de rap e funk realizados em 2023. 

Integrando a sessão de videoclipes, às 19h, no dia 16, será exibido também o drama musical, “No início do mundo” (2023), dirigido por Gabriel Marcos. Ambientado na periferia de Contagem, o filme apresenta Vitor e Katlyn, dois jovens que sentem, todos os dias, a falta de perspectiva que os rodeia. Entre ônibus lotados, a descoberta da sexualidade e as responsabilidades em um lar fragilizado, crescer se torna uma tarefa ainda mais difícil. O curta-metragem, que aborda a diferença entre classes sociais, homofobia, racismo e fanatismo religioso, recebeu os prêmios de “Melhor Filme” do 2o Olhar Periférico Festival de Cinema, do V Festival Brasileiro de Filmes sobre Mobilidade Urbana e do 30o Festival de Cinema de Vitória.

Fecham a “IV Mostra Cinema Periferia do Mundo”, no dia 17, domingo, dois longa-metragens que abordam a violência social e política nas periferias – ontem e hoje. O primeiro, às 16h30, é “Colina” (2023), de Chiquinho Matias, documentário que conta a história da “Colina” (Comando de Libertação Nacional), organização guerrilheira que se originou em BH e Região Metropolitana, e que lutou contra a ditadura militar. Às 19h, a programação traz para as telas de Belo Horizonte um registro ficcional da periferia da cidade de Rio Branco, no Acre, com a exibição do filme “Noites Alienígenas” (2022), de Sérgio de Carvalho. O longa-metragem narra a história de três amigos que acompanham, em um contexto trágico, a chegada das facções criminosas do Sudeste do Brasil para a Amazônia. Na trama, Rivelino (Gabriel Knox), Sandra (Gleici Damasceno) e Paulo (Adanilo), amigos de infância que cresceram na periferia de Rio Branco, capital do Acre, se reencontram a partir de uma tragédia em comum. Abordando os conflitos de uma sociedade impactada pela violência, a obra é inspirada no romance homônimo escrito por Sérgio de Carvalho. 

Sobre o Circuito Municipal de Cultura

O Circuito Municipal de Cultura foi criado com o compromisso de oferecer uma programação contínua, em diversos formatos, a partir de ações descentralizadas nas nove regionais da PBH. Desde então, o projeto tem realizado shows, espetáculos cênicos, intervenções urbanas, exibição de filmes e mostras temáticas, além de atividades de reflexão e formação em diferentes linguagens artísticas, reforçando seu importante papel de fomento.

Entre dezembro de 2019, quando foi lançado, e agosto de 2023, data que marcou o fim do Ano III, o Circuito Municipal de Cultura realizou 928 atividades artísticas e culturais, que alcançaram um público estimado de aproximadamente 535 mil pessoas. Incluindo ações presenciais, virtuais e híbridas, a programação ocorrida durante esse período histórico do projeto movimentou a contratação de 5248 artistas e profissionais técnicos da cadeia produtiva da cultura.

SERVIÇO | CIRCUITO MUNICIPAL DE CULTURA

“IV MOSTRA CINEMA PERIFERIA DO MUNDO”

Quando. De terça a domingo, 12 a 17 de dezembro

Onde. Cine Santa Tereza (Rua Estrela do Sul, 89 – Santa Tereza)

Quanto. Entrada gratuita mediante retirada prévia de ingressos on-line neste link ou na bilheteria do cinema meia hora antes das sessões 

PROGRAMAÇÃO

Terça-feira, 12/12 – 19h 

“Nunca pensei que seria assim”

(Meibe Rodrigues | MG | 2022 | 11 min)

“Ramal”

(Higor Gomes | MG | 2023 | 16 min)

Classificação indicativa: 14 anos 

Sessão comentada por Higor Gomes e Karen Suzane

Quarta-feira, 13/12 – 19h

“Coragem” 

(Karen Suzane | MG | 2023 | 28 min)

“7 giras passageiras”

(Denise dos Santos/Luana Costa/ Michelle Sá | 2023 | MG | 29 min)

Classificação indicativa: 12 anos

Quinta-feira, 14/12 – 19h

“Zé do Congado”

(Dea e Marcus Vieira | MG | 2023 | 8 min)

“Kalunga do Rosário”

(Capitão Washington Luís (Kamugenan) | MG | 2023 | 21 min)

“Vidas do Rosário”

(Marcelo Lin | MG | 2023 |15 min)

Classificação indicativa: livre

Sexta-feira, 15/12 – 19h

“Ramal”

(Higor Gomes | MG | 2023 | Ficção | 16 min)

“A natureza que se observa através de mim”

(Dea Vieira | MG | 2023 | 3 min) 

“Na boca do leão”

(Kiandewame Samba | MG | 2022 | 3 min)

“Corpovivência”

(Sheyla Bacellar/Sandra Sawilza | MG | 2022 | 6 min)

Estudo para uma pintura o lavrador de café”

(Desali | MG | 2023 | 13 min)

Classificação indicativa: 14 anos

Sábado, 16/12 – 16h30

“Fé que canta e dança”

(Renca produções/Gabriela Matos | MG | 2023 | 48 min)

Primeiro de Maio Lugar de Memória”

(Thiago Pacheco/Nego Dê | MG | 2023 | 12 min)

Classificação indicativa: livre

Sessão comentada pelos realizadores e comunidade do bairro Primeiro de Maio

Sábado, 16/12 – 19h 

“No início do mundo”

(Gabriel Marcos | MG | 2023 | 24 min )

“Retrospectiva P.drão vídeo clipes”

(P.drão | 2023 | MG | 30 min)

Classificação indicativa: 12 anos 

Domingo, 17/12 – 16h30

“Colina”

(Chiquinho Matias | MG | 2023 | 53 min)

Classificação indicativa: 10 anos

Domingo, 17/12 – 19h

“Noites Alienígenas”

(Sérgio de Carvalho | Brasil | 2022 | 91min)

Classificação indicativa: 14 anos

Lucas Buzatti Faria | Assessor de Imprensa

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